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Esse termo faz referência a um outro - "Teto de Vidro" - cunhado por feministas da segunda onda para identificar e combater as dificuldades encontradas por mulheres para ascender a posições de poder e autoridade no mercado de trabalho.

Enquanto o conceito original, Teto de Vidro, busca evidenciar e esclarecer uma das formas pelas quais a mulher é oprimida e mantida fora do poder econômica e socialmente, ainda que esteja inserida no mercado de trabalho, o segundo apropria-se do primeiro para reclamar o acesso a sexo com lésbicas.

Como se o acesso a sexo fosse um direito e a negativa desse acesso - o não consentimento da lésbica ao sexo quando inclua um pênis - uma forma de opressão (transfobia).

Sugerir que lésbicas que não consintam ao sexo com pessoas que têm pênis sejam transfóbicas - ou seja, são capazes de oprimir MtF trans, implica em dizer que lésbicas possuem alguma forma de poder sistemático contra pessoas que foram identificadas e socializadas como homens numa sociedade patriarcal, misógina, falocêntrica e lesbofóbica.

Não é nenhuma novidade que, em nossa sociedade, defendam o
acesso de pessoas nascidas com um pênis a sexo com mulheres.

Nem que se esforcem para convencê-las a consentir,
mesmo quando
já tenham se posicionado negativamente.

A novidade é que o transativismo descobriu uma forma de extender esse acesso às lésbicas, apontando seu não-consentimento como uma forma de discriminação. O conceito pode instigar culpa e pena em mulheres de forma que acabem consentindo sem atração.

Por Quê "Teto de Algodão"?

O termo algodão foi usado para referir-se a calcinhas, que, por sua vez, refeririam-se a sexo.

Antes de mais nada, calcinhas não se referem a sexo. Calcinhas servem para manter o interior das calças limpo, e proteger a pele do tecido mais duro das calças. Nenhuma dessas duas funções é sexual nem sensual de nenhuma forma.

Referir-se à calcinha como um "teto de algodão", como uma barreira que deva ser quebrada em nome da liberdade de outra pessoa, é uma terminologia desconcertantemente aparentada com a ideia do estupro.

O teto de algodão nada mais é do que uma barreira contra a penetração da vagina.

Assim como o homem que reclama de ser colocado na friendzone, o teto de algodão é a culpabilização da mulher que participa do transativismo sem colocar-se à disposição para sexo.

O esforço e a amizade das mulheres não é váldo a menos que venha acompanhado de servir-se do seu físico, além de doar a sua emoção?

[A mulher não se define pelo comportamento feminino. Ela se define pela socialização compulsória recebida desde o nascimento. Definir uma mulher a partir do comportamnto ou vestuário dito feminino é misógino. Se não pudermos nomear quem somos e falar sobre nossos corpos, não poderemos ter acesso a atendimento médico, prevenção da gravidez e educação sexual mais adequadas a nós. A medicina, historicamente e até os nossos dias, continua extrapolando estudos feitos a partir dos corpos masculinos, gerando problemas para a saúde da mulher.]

http://factcheckme.wordpress.com/2012/03/13/the-cotton-ceiling-really/